{"id":6310,"date":"2016-09-15T11:02:17","date_gmt":"2016-09-15T14:02:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cobapa.org.br\/portal\/?p=6310"},"modified":"2016-09-15T11:19:24","modified_gmt":"2016-09-15T14:19:24","slug":"o-arduo-comeco-de-um-trabalho-glorioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cobapa.org.br\/portal\/o-arduo-comeco-de-um-trabalho-glorioso\/","title":{"rendered":"O \u00e1rduo come\u00e7o de um trabalho glorioso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cobapa.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/euriconelson_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/cobapa.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/euriconelson_2-238x300.jpg\" alt=\"euriconelson_2\" width=\"238\" height=\"300\" \/><\/a>\u00a0\u00c9 oportuno repetir que, no seu desejo insopit\u00e1vel de pregar o evangelho no Brasil, Eurico Nelson n\u00e3o contava com nenhum aux\u00edlio humano. N\u00e3o tinha ainda sido consagrado ao minist\u00e9rio e, por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o esperava remunera\u00e7\u00e3o de nenhuma igreja. Mas decidira partir e nada neste mundo seria capaz de demov\u00ea-lo. Um dos tra\u00e7os distintivos do seu car\u00e1ter, desde a inf\u00e2ncia, segundo o testemunho de seu irm\u00e3o Carlos, era a firmeza de seus prop\u00f3sitos e a pertin\u00e1cia com que os levava a termo. Era um &#8220;homem de uma s\u00f3 pe\u00e7a&#8221;, desses que s\u00f3 dizem &#8220;sim, sim &#8211; n\u00e3o, n\u00e3o&#8221;. Ali\u00e1s, j\u00e1 tivemos oportunidade de falar sobre esse caracter\u00edstico de Nelson, no cap\u00edtulo anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Assim, deixando sua casa, foi primeiro a Galveston, no Estado de Texas, e da\u00ed para Nova Iorque, com o fim de embarcar para o Brasil. Em Galveston houve um incidente interessante e bem sugestivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nelson foi aos escrit\u00f3rios da Companhia de Navega\u00e7\u00e3o, solicitar uma passagem com o abatimento que a Companhia costumava dar aos ministros. Declarou honestamente ao funcion\u00e1rio que o atendeu que n\u00e3o era ainda ordenado, mas que ia para o Brasil como mission\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O homem perguntou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Mas que prova o senhor fornece do que est\u00e1 dizendo. E Nelson incisivamente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Olhe para o meu rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Foi o bastante: a Companhia forneceu-lhe uma passagem, com o abatimento solicitado, para Nova Iorque, onde deveria tomar o vapor para o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Na grande cidade, enquanto esperava a chegada do vapor, encontrou um ingl\u00eas que tinha morado algum tempo no Maranh\u00e3o. Este sugeriu a Nelson que fosse para esse Estado, visto que no Par\u00e1 grassava a febre amarela. Mas os planos de Nelson j\u00e1 estavam tra\u00e7ados, e ele nunca recuou por causa de informa\u00e7\u00f5es dessa natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Enquanto esperava em Nova Iorque, seus recursos se esgotaram. j\u00e1 n\u00e3o tinha com que pagar sua passagem para o Par\u00e1. Mas um dia, passando pelo correio, encontrou l\u00e1 uma carta com vinte d\u00f3lares. Era de seu pai e lhe dizia que em Nova Iorque o frio era muito forte e, por isso, lhe enviava aquele dinheiro a fim de que comprasse um sobretudo. Nelson foi logo comprar uma passagem de 3\u00aa classe para Bel\u00e9m, dizendo com seus bot\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Vou para o Brasil, onde n\u00e3o preciso de sobretudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Assim, quando chegou ao Par\u00e1 tinha ainda 16 d\u00f3lares no bolso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O navio em que viajou chamava-se &#8220;Hope&#8221; (Esperan\u00e7a). Na sexta-feira 19 de novembro de 1891, o &#8220;Hope&#8221; fundeou em Bel\u00e9m. Nelson desceu e foi-se hospedar num hotel. Chegava ao Brasil em plena festa de Nossa Senhora de Nazar\u00e9. (*) Era esta, como at\u00e9 hoje, a festa cat\u00f3lica, por excel\u00eancia, da cidade, compar\u00e1vel \u00e0 da Penha no Rio de janeiro. Desenfreava, de quando em quando, em vasta pagodeira carnavalesca. Numa grande sala estavam expostos bra\u00e7os, pernas e p\u00e9s de cera, vendidos a bom pre\u00e7o pelos solertes exploradores da crendice popular. Esses peda\u00e7os de cera eram as provas dos &#8220;milagres&#8221; operados pela &#8220;santa&#8221; festejada e constitu\u00edam o pagamento de promessas feitas a ela. Foi assim um pouco rude o primeiro contato de Nelson com a idolatria romanista. Nesse mesmo dia, 19 de novembro de 1891, comemorava-se o 2\u00b0 anivers\u00e1rio da cria\u00e7\u00e3o da nova bandeira brasileira, em que figurava a divisa &#8220;Ordem e Progresso&#8221;&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado de manh\u00e3, dia 20, Nelson foi procurar emprego na Companhia de Vapores, a The Amazon<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(*) Essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 dada pelo pr\u00f3prio Nelson nas breves notas autobiogr\u00e1ficas que escreveu. Parece ter havido alguma confus\u00e3o de datas, porque a festa da Senhora de Nazar\u00e9 se realiza em outubro. Ou teria sido realizada em novembro no ano de 1891? N\u00e3o temos recursos para fazer essa verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">River Company Navigation. Ele tinha habilita\u00e7\u00f5es para qualquer esp\u00e9cie de servi\u00e7o e prometeram-lhe arranjar algo, logo que houvesse vaga. Nesse mesmo s\u00e1bado, ele conversou com diversos capit\u00e3es de navios e eles o convidaram para pregar a bordo no domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/cobapa.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/fotos_lderes-4-300x176.jpg\" alt=\"fotos_lderes 4\" width=\"533\" height=\"310\" \/>O que o ingl\u00eas de Nova Iorque havia dito era verdade: a febre amarela grassava no Par\u00e1 com extraordin\u00e1ria virul\u00eancia, vitimando o povo e os marinheiros que chegavam \u00e0 cidade. Indo pregar a bordo, Nelson veio a saber que muitos marinheiros estavam hospitalizados na cidade. Tratou logo de visit\u00e1-los. Durante a semana prestava assist\u00eancia espiritual aos marinheiros atacados de febre amarela e aos domingos pregava nos navios. Dessa maneira come\u00e7ou Nelson a sua miss\u00e3o apostolar, arriscando diariamente a vida em contato com os doentes. Deus o manteve imune de cont\u00e1gio, pois que o reservava para grandes e magn\u00edficas tarefas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora completamente desprovido de recursos, no seu af\u00e3 de servir os marinheiros enfermos, Nelson alugou uma casa e nela abrigava aqueles que convalesciam da febre e aguardavam oportunidade para embarcar de novo. Isso era seguir realmente o Bom Samaritano. Nelson morava na mesma casa e cuidava, com paternal carinho, de seus h\u00f3spedes doentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia, em Bel\u00e9m, por essa \u00e9poca, um mission\u00e1rio metodista, Justus H. Nelson. Este, que passava por m\u00e9dico, tinha vindo em companhia de outros mission\u00e1rios, em 1885, com o bispo metodista William Taylor, a fim de estabelecer trabalho na Amaz\u00f4nia. Julgavam eles que se poderiam manter dando aulas de ingl\u00eas. Come\u00e7aram com anima\u00e7\u00e3o a empresa em Bel\u00e9m e em Manaus, mas dentro em pouco alguns morreram de febre amarela, outros abandonaram o campo e Justus H. Nelson ficou s\u00f3 com sua esposa. Lutou quarenta anos em Bel\u00e9m, sem conseguir estabelecer trabalho s\u00f3lido Isso prova o quanto era dif\u00edcio campo que Eurico Nelson escolheu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro em pouco, Nelson percebeu que n\u00e3o era conveniente continuar o trabalho sozinho. Dadas as circunst\u00e2ncias locais, era l\u00edcito aplicar-lhe o &#8220;Ai do que est\u00e1 s\u00f3&#8221; do Eclesiastes. Escreveu, pois, para a jovem que deixara, l\u00e1 num Instituto de \u00edndios, no Estado de Kansas. Exp\u00f4s-lhe a situa\u00e7\u00e3o em que se encontrava, as muitas dificuldades, mas tamb\u00e9m as perspectivas promissoras do trabalho e perguntou-lhe se estava disposta a unir-se a ele naquela grande obra. E ela, com uma determina\u00e7\u00e3o igual \u00e0 do companheiro que escolhera, largou tudo e embarcou para o Brasil. Com as poucas economias que havia feito, preparou, ela mesma, seu modesto enxoval e pagou sua passagem, de terceira classe, para Bel\u00e9m. Passou t\u00e3o mal na viagem que o capit\u00e3o, compadecido, arranjou-lhe um lugar na primeira classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">Chegou ao Par\u00e1 em 7 de janeiro de 1893<\/span>. Viajara sozinha, confiante em Deus e animada pelo seu grande amor e pela esperan\u00e7a de realizar, ao lado do escolhido do seu cora\u00e7\u00e3o, um grande trabalho, sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os divinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi poss\u00edvel arranjar um hotel para a mo\u00e7a e decidiram ent\u00e3o efetuar o casamento no mesmo dia em que Ida chegou. A cerim\u00f4nia deveria ser realizada pelo pastor metodista, o turbulento Justus Nelson. Este, entretanto, estava na cadeia&#8230; Escrevera um panfleto provocador contra a igreja Cat\u00f3lica e, repetindo o gesto famoso de Lutero em Wittenberg, fora afix\u00e1-lo na porta da catedral, num desafio p\u00fablico ao bispo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, quem celebrou o casamento foi o c\u00f4nsul americano e seis c\u00f4nsules de diferentes na\u00e7\u00f5es serviram de testemunhas. Um &#8220;lord&#8221; irland\u00eas, de nome Ivo Robinson, que se hospedara em casa de Nelson, foi o padrinho da noiva. Terminado o ato, o c\u00f4nsul americano perguntou ao noivo se precisava de alguma coisa. Nelson respondeu que estava &#8220;a nenhum&#8221; e necessitava de cinq\u00fcenta mil r\u00e9is&#8230; Depois, os noivos, Robinson, o c\u00f4nsul e sua esposa seguiram para um restaurante a fim de cear. Mas ao sa\u00edrem do consulado desabou um aguaceiro t\u00e3o forte que os carros na rua tiveram de parar e os componentes do grupo chegaram ao restaurante completamente encharcados. Como os tr\u00eas h\u00f3spedes come\u00e7assem a pedir bebidas que fossem um pouco mais fortes que caf\u00e9, Nelson tratou logo de pagar a conta que ascendera a 27 mil reis&#8230; A chuva havia passado; deixou ent\u00e3o os companheiros que n\u00e3o estavam mesmo em condi\u00e7\u00f5es de reparar na falta dos noivos e rumou com a jovem esposa para casa. Casa? Uma cabana, num arrabalde da cidade, onde nem cama eles tinham para dormir. Para uma jovem noiva chegada nesse dia de sua terra, cheia de sonhos e alegrias, o encontro com a realidade seria amargo. N\u00e3o para Ida Nelson: nunca lhe faleceu a coragem. Veio pela f\u00e9, sabendo que seu noivo n\u00e3o tinha nenhuma garantia de sustento. A f\u00e9 bastava para sustent\u00e1-la. No dia seguinte, estavam os dois rec\u00e9m-casados a bordo para o culto. Ida viera mesmo disposta a ajudar o marido em tudo e a arrostar com ele todas as prova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certo capit\u00e3o canadense havia dado ao mission\u00e1rio um barquinho de presente. Nesse barco, com Nelson nos regos, ia o casal todos os domingos a bordo. Por causa da baixa-mar os navios ancoravam a duas ou tr\u00eas milhas de dist\u00e2ncia. Mas durante seis anos, s\u00f3 ou com sua esposa, Nelson n\u00e3o perdeu um domingo de trabalho a bordo. A isso acrescente-se que n\u00e3o era brinquedo essa viagem dominical aos navios. N\u00e3o era passeio nem esporte. Velho crente que conhece o local e as circunst\u00e2ncias d\u00e1 esse testemunho acerca da dificuldade de remar o barquinho nas horas em que a mar\u00e9 baixava: Quer a jusante quer a montante a tarefa era terr\u00edvel e mesmo um homem da \u00e1gua como Nelson arriscava a vida indo a bordo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois do casamento, Ida caiu de cama, com febre. O Dr. Ayers, c\u00f4nsul americano, o mesmo que os casara, e que era tamb\u00e9m m\u00e9dico, tratou dela sem nada cobrar. Logo que ficou boa, ela teve, com seu marido, uma experi\u00eancia interessante e impressionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma jovem norueguesa, que se estava preparando para ser enfermeira e depois m\u00e9dica, chegou a Bel\u00e9m, em companhia de seu pai. Estava descansando dos estudos e teve oportunidade de ouvir num domingo, a bordo; a prega\u00e7\u00e3o de Nelson. Na segunda-feira o pai da jovem foi pedir encarecidamente a Ida que fosse fazer companhia \u00e0 sua filha, pois atacada pela febre, ela estava internada no Hospital S\u00e3o Francisco, onde s\u00f3 havia enfermeiros homens. A m\u00e3e da jovem enferma havia morrido anos atr\u00e1s e o pai resolvera cuidar pessoalmente da educa\u00e7\u00e3o da filha, libertando-a de toda &#8220;supersti\u00e7\u00e3o&#8221; religiosa. Para ele, c\u00e9u, inferno, vida futura, religi\u00e3o, eram bobagens, meras palavras completamente destitu\u00eddas de significado. A vida presente devia ser bem gozada, porque n\u00e3o havia outra. Assim ensinara \u00e0 filha e, justamente com o intuito de gozar bem a vida, levara-a naquela viagem. Agora ela estava naquele hospital de poucos recursos, em terra estrangeira, prostrada pela febre amarela. Nelson indo, em companhia de sua esposa, visitar a mo\u00e7a, viu logo que ela estava perdida. Disse isso francamente ao pai. Este, ent\u00e3o, desesperado, pediu \u00e0 filha, que lembrasse do que sua m\u00e3e lhe havia ensinado sobre religi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00c9 oportuno repetir que, no seu desejo insopit\u00e1vel de pregar o evangelho no Brasil, Eurico Nelson n\u00e3o contava com nenhum aux\u00edlio humano. N\u00e3o tinha ainda sido consagrado ao minist\u00e9rio e, por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o esperava remunera\u00e7\u00e3o de nenhuma igreja. Mas decidira partir e nada neste mundo seria capaz de demov\u00ea-lo. 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